Desde que li o livro Wild Fermentation
que fiquei com a curiosidade de fazer um fermento natural sem adicionar
fermento, ou seja, deixar que as leveduras e as bactérias da
fermentação resolvessem aparecer no meu fermento.
O fabrico deste fermento natural - starter - é
lento, mas no fim de feito permite que se adicione à massa do pão e
quando pronta se retire uma porção, a técnica da massa velha - ver dicas - elaboração de massa de pão.
O pão ficaria muito mais natural, muito mais primitivo, o verdadeiro sourdough - massa azeda.
Com este fermento, tal como se usa(va) tradicionalmente a massa velha ou azeda em Portugal no fabrico do pão, a massa adquire um sabor muito mais complexo. A mistura de microrganismos é muito maior do que a que encontramos no fermento de compra.
Elaborar este starter e mantê-lo no frigorífico é como ter um animal de estimação, que temos de alimentar, aqui com a vantagem de ser apenas de vez em quando.
Em diferentes localizações do país podem ser obtidos diferentes fermentos que irão caracterizam o sabor do pão. Podemos sempre trocar parte do nosso fermento com o dos amigos para enriquecer o nosso pão.
O fermento natural começa então com uma mistura de farinha e água, de uma forma muito simples e básica:
1-
Escolher um recipiente de plástico ou vidro. Prefiro usar o vidro,
qualquer frasco de boca larga serve. De preferência que seja largo e não
muito alto. Pode ser uma frasco com tampa de rosca ou dos de conservas
com vedante de borracha e fecho de arame;
2- Misturar 1
chávena de água morna com 1 chávena de farinha de trigo. Manter o frasco
num ambiente de temperatura entre os 21-26ºC, destapado;
3- Durante 1 semana, todos os dias retirar metade da mistura da
farinha e água, elimine-a, e misturar com 1/2 chávena de farinha e 1/2
chávena de água. Pode ser que sejam precisos apenas 4-5 dias ou mais de
uma semana. A mistura estará boa quando se formarem bolhas na superfície
e a sua quantidade aumente dia para dia. Aparecerá uma espuma de bolhas
na superfície - Está no bom caminho!
4- A partir do momento em que a mistura apresentar bolhas suficientes
colocar a tampa do frasco e mantê-lo no frigorífico com a tampa mal
apertada para permitir algum arejamento. Se for necessário, e se estiver
a usar um frasco de pikles ou azeitonas com tampa metálica, faça
2 furos nestas para o arejamento. Desde que a mistura esteja no
frigorífico é só preciso alimentá-la 1 vez por semana. Retirando uma
porção desta massa e acrescentado o equivalente em água e farinha.
Notas após a elaboração do fermento natural:
5-
Mesmo que o fermento natural não seja alimentado todas as semanas não
há problemas, as leveduras e as bactérias resistem mais tempo. No
entanto a proporção entre elas vai variando produzindo cheiro de
fermentação diferente. Não elimine a massa, alimente-a na mesma, apenas
retire mais de metade da massa para o lixo e reponha com nova farinha e
água;
6- Se não pretende usar o fermento natural ou a massa velha
guardada no frigorífico por um período de tempo maior, pode colocar a
massa num saco ou caixa plástica e congelar;
7- É normal que se forme um líquido sobre-nadante sobre a massa,
às vezes acinzentado, principalmente depois desta estar no frigorífico.
É normal, é resultado da fermentação, provavelmente terá cheiro a
álcool, pois alguns destes microrganismos realizam fermentação
alcoólica. Pode escorrer este líquido se a massa estiver húmida ou
misturá-lo à massa se esta estiver seca.
8- Para misturar a massa com o líquido, a farinha e a água, use uma colher de pau ou um simples pauzinho do restaurante chinês. Não use utensílios metálicos.
Várias variações podem ser feitas:
- substituir parte da farinha de trigo por farinha de centeio;
- no início, enquanto a mistura está à temperatura ambiente colocar
alguns bagos de uva não lavados na mistura (para que as leveduras da
casca, as mesmas que fermentam o sumo de uva, passem para a massa);
- em vez de uvas ou juntamente com os bagos de uva podem ser adicionados alguns grãos de trigo, centeio e/ou cevada;
- aumentar o período em que a massa está exposta ao ar, por exemplo, 1 mês;
- é claro que se pode adicionar apenas um pouco de levedura, de fermento biológico seco ou fresco à massa, mas se a ideia é fazer um fermento natural então elimina-se esta batota.
Para fazer o pão com o fermento natural:
- Combinar todo o fermento natural, starter, com a água, a farinha de trigo, centeio, e o sal, necessários para fazer o pão;
- Retirar uma parte de massa do tamanho de uma laranja e colocar no frasco previamente lavado;
- Manter o frasco com a massa velha no frigorífico.
1 comentários:
Andava atrás deste fermento. Vou experimentar e depois conto como correu a experiência na padaria ;)
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